sexto sentido
quem és tu
que me roubas o protagonismo
em busca de fácil hedonismo
à procura de um papel sem sentido
sexto sentido
quem és tu
que me deixas sem explicação
sem o carácter do teu odor
distante do teu original sabor
do que sumptuoso quero ver
do que agridoce posso ouvir
para algo cruel poder sentir
quem és tu rainha da intuição?

Sentei à minha mesa
os meus demónios interiores
falei-lhes com franqueza
dos meus piores temores
tratei-os com carinho
pus jarra de flores
abri o melhor vinho
trouxe amêndoas e licores
chamei-os pelo nome
quebrei a etiqueta
matei-lhes a sede e a fome
dei-lhes cabo da dieta
conheci bem cada um
pus de lado toda a farsa
abri a minha alma
como se fosse um comparsa
E no fim, já bem bebidos
demos abraços fraternos
saíram de mansinho
aos primeiros alvores
de copos bem erguidos
brindámos aos infernos
fizeram-se ao caminho
sem mágoas nem rancores
Adeus, foi um prazer!
disseram a cantar
mantém a mesa posta
porque havemos de voltar
É apenas a Balada de um Estranho….